Foi no sábado passado (17/01) que cheguei à Cité Universitaire Internationale de Paris. Fiquei deslumbrada... é o paraíso dos estudantes Erasmus. Um espaço enorme com capacidade para cerca de 5600 estudantes de todo o Mundo (mais de 130 nacionalidades), que nasceu em 1920. A Cité está organizada em 40 residências, em que a maioria está associada a um país. No entanto, como em Erasmus o que se quer é partilha, cada residência recebe estudantes de várias nacionalidades e não apenas do país a que está associada. Cada residência tem o seu estilo arquitectónico e por isso cada uma tem algo de especial.

Maison Internationale (o centro da Cité)
A minha residência é a Casa de Portugal (Maison du Portugal, também conhecida por Résidence André de Gouveia), que é das mais modernas e recebe 160 estudantes. A entrada lembra uma discoteca (o que considero que seja um bom presságio :p) e o corredor do meu piso tem paredes vermelhas. É preciso dizer mais alguma coisa? ;) O quarto é pequeno mas quentinho e tem tudo no sítio. :p Tenho uma casa de banho só para mim com água sempre quente e um recipiente no frigorífico para fazer cubos de gelo. ;) Acho que não preciso de mais nada... Temos uma cozinha por piso, o que é muito útil para travar conhecimentos enquanto se descascam cebolas. :P Existem ainda outros espaços comuns na residência (sala de televisão, sala de jogos, sala de estudo).
Maison du Portugal (a minha residência)
O meu grande auxílio aqui nos primeiros dias foram a Andreia e o Ricardo, dois colegas do 4º ano da Faculdade de Medicina de Lisboa (FML) que eu não conhecia mas que me receberam da melhor forma possível. Também moram na Cité mas não conseguiram lugar na Casa de Portugal. Neste momento sou a única Erasmus do 6º ano da FML aqui mas penso que no total estão em Paris 5 Erasmus do 4º ano.
O Ricardo mora no Collège Franco-Britannique da Cité, que tem sido o grande ponto de encontro, sobretudo para os jantares. Apesar de ter uma cozinha comum na minha residência, cada pessoa tem que ter a sua louça, talheres, panelas, etc. Como não encontrei nenhuma destas coisas dentro da minha mala, adoptei a cozinha do Ricardo. :P Foi lá que estabeleci os primeiros contactos internacionais.
No Domingo (2º dia em Paris) fomos comer ao “brunch” de Port Royal. Foi ai que comecei a perceber que os estudantes podem comer bem em Paris por menos de 3€, o que é importante para poupar dinheiro para os passeios. :p
Nesse dia conheci outros portugueses: a Rita, a Teresa, o João e a Ana. Tudo gente simpática. :) Estive pela primeira vez no centro de Paris e soube que estava na cidade certa... é mesmo encantadora. :) Entrei na catedral de Notre-Dame e andei pela Ile de la Cité e pela Ile de St. Louis. A grande dificuldade foi saber o que apanhar em cada fotografia... simplesmente excelente. :)
Para lanche fomos comer crepes com Nutella! Hmmm... delicioso! Aqui colocam os crepes num pacote e pode-se comer à dentada. É bom para aquecer as mãos. ;)
Na Segunda foi o meu primeiro dia no hospital. Tinha indicações para chegar lá às 8h, o que me deixou algo em pânico (acordar às 6h30 vai contra os meus princípios :p). Mas felizmente logo no primeiro dia percebi que só se começa a trabalhar às 9h. :)
Durante estes 3 meses de Erasmus vou estar a estagiar em Medicina Interna, ou seja, nada de aulas e nada de exames. ;) Depois de muitas confusões, fui aceite na Université Paris Descartes (Paris V), o que me deixou muito satisfeita, tanto por ser uma referência em Medicina como também pela sua localização central.
Faculté de Médecine de l' Université Paris Descartes
Depois de outras tantas peripécias, consegui um lugar em Medicina Interna no Hôpital Cochin. A única coisa que sabia é que a localização era favorável (perto da Cité e do centro da cidade), por isso pareceu-me bem. O grande receio é que tivesse que trabalhar demasiadas horas no estágio e que a exigência fosse muito grande porque é essa a fama das faculdades de Medicina francesas (várias pessoas me consideraram louca por optar por fazer Erasmus em Paris...). No entanto, ao fim de uma semana, estou super satisfeita. Fiquei no serviço de “Médecine Interne et centre de reference de maladies rares” e por isso tenho tido oportunidade de ver doentes com patologias que só conhecia dos livros como é o caso da esclerodermia com polimiosite, da doença de Behçet e da arterite de Takayasu. Trabalho das 9h às 13h30 e em princípio ganho 200€/ mês (algo nunca visto em Portugal!) A observação diária dos doentes é da responsabilidade dos alunos do 4º e 6º ano, que se têm mostrado disponíveis para me ajudar. Os internos da especialidade e os médicos do serviço também parecem acessíveis e o ambiente é tranquilo. Existe uma salinha aonde se pode ir buscar cafés e bolachas, o que é essencial. :)
O único problema tem sido o francês... na verdade o primeiro dia foi um bocado assustador... não percebi 75% das conversas entre franceses... No entanto, em cada dia que passa, percebo-os um bocadinho melhor por isso o importante é não entrar em pânico. Eu consigo que eles me percebam e se eles se esforçarem um pouco eu também os percebo... acho que isto é a base de uma comunicação eficaz. :p

muito muito bem :) aproveita ao máximo!
ResponderEliminararterite de Takayasu... ja tive isso xD lol enjoy ;)
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